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Primeiro texto, blogue novo: lançamento de O Novo Mundo

Nem o sucesso nem o fracasso são confiáveis: ambos são impostores.

É verdade: os olhos do artista devem permanecer vidrados na expressão da sua alma e do seu tempo — sem se perderem nas vaias e nos aplausos. Mas não conheci ainda quem permaneça indiferente diante da resposta do público ao fruto do seu trabalho solitário.

Estou acostumado com palcos, plateias, jornais, até prêmios literários. Mas no lançamento da minha primeira ficção, até tentei disfarçar a inquietação, mas foi inútil.

Entre a ideia e a entrega de um livro, ao menos um ano se passou: noites em claro, idas ao hospital, reencontros, perdas, e até a despedida inesperada do meu pai. Tudo isso desaguou no último sábado, 6 de setembro, véspera de eclipse e de feriado, no lançamento de O Novo Mundo. Reencontros, leitores novos, cafezinho, salgadinhos e a alegria crescendo a cada pessoa que entrava na Nerimar Livraria.

Tenho aprendido sobre vulnerabilidade. Escrever é abrir o peito, assumir quem se é, suportar críticas, tolerar a incompreensão. É renunciar à imagem idealizada, olhar-se com sinceridade, reconhecer a imperfeição — lançar-se ao crivo social.

Assim nasceu O Novo Mundo. Uma distopia ambientada em Apucarana, sobre controle e liberdade, medo e fé, colapso e renascimento, sem respostas fáceis, mas perguntas insistentes.

Escrever, no fim, é isso: não se fixar nem nas flores, por mais belas que sejam, nem nas pedras, por mais duras que sejam, mas seguir como o espelho d’água que flui. E deixar que cada leitor refletir aquilo que importa.

 
 
 

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João Cássio

Cantor e escritor

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